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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

TEORIA DA REALEZA E SUBMISSÃO PARTE lll (o elefante)





Aqui, no local que se tornará o cenário de minha morte, eu, um elefante velho e cansado, estou em voltas com minhas memórias. Acabo de me distanciar de minha manada, nunca pensei que fosse tão difícil, mas sem forças para seguir em busca de alimento e água, não tive escolha, resistir seria por em risco a vida daqueles que por tanto tempo caminharam ao meu lado, pois se caísse diante deles, a manada não arredaria o pé enquanto me houvesse vida, e quando chegasse minha hora, talvez fosse tarde de mais para eles, pois estávamos longe demais de comida e água.
Agora, na quase completa solidão, as lembranças me vêm à mente como marteladas, lembranças da infância, dos primeiros aprendizados, do primeiro namoro, mas nenhuma lembrança me atormenta mais que as daqueles infelizes dias. Hoje eu sei que não precisávamos de nenhum rei, aprendi que verdade é apenas a versão da história mais discernida, e que uma boa propagando é capaz de promover a mais infame mentira a verdade. Hoje eu sei, mas naquela época não pude enxergar, o sonho por poder às vezes transforma até o mais altruísta dos seres, e aquela ideologia criada favorecia meus interesses.
Sei que não precisávamos de um, mas eu seria um bom rei, porém fui humilhado diante de todos pelo leão, que utilizou de minha estética para me ridicularizar. Beleza é algo tão relativo, como podem utilizá-la como parâmetro de valor?  Tem mais valor quem é mais belo?O leão é verdadeiramente belo, mas seu reinado é monstruoso. Presenciei coisas terríveis, os súditos, em sua maior parte vivem, ou melhor, sobrevivem em condições precárias, não por falta de recursos,pois estes existem,vivem assim porque os recursos existentes estão nas mãos de poucos, a corte e a chamada elite esbanjam sem se importarem com mais ninguém, todo alimento passa pelos fiscais do rei, a maior parte é confiscada, se alguém discorda, lá está a guarda real.
Sinto minhas forças me deixarem, é triste morrer frustrado, é triste morrer em divida. Por isso se eu pudesse deixar um ultimo conselho, este seria:
Nunca se acovardem. Nunca se calem diante da injustiça, não permitam que o mal aconteça por ficarem mudos, pois este foi meu maior erro,já que naquela época tinha força bastante para resistir, mas achei mais conveniente me calar.
Neste momento minha principal característica me soa como maldição,pois teria uma morte mais tranqüila se pudesse esquecer.



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